Estereotaxia
A
estereotaxia (latin: stereo, tridimensional; taxis, arranjo)
é uma técnica moderna da neurocirurgia que permite a localização
e o acesso preciso de estruturas intracranianas através
de apenas um pequeno orifício no crânio. Procede-se da
seguinte forma:
1.
Acoplamos um arco estereotáxico externamente à cabeça
do paciente.
2. Realizamos a seguir uma tomografia computadorizada
ou ressonância magnética de crânio do paciente, com os
referenciais no arco.
3. Baseado na imagem do exame, fazemos os cálculos com
o auxílio do computador, determinando com precisão a localização
de qualquer região do cérebro do paciente, traduzida através
de coordenadas estereotáxicas.
4. Levamos o paciente ao centro cirúrgico e sob anestesia
local, fazemos uma pequena incisão no couro cabeludo (4
cm a 5 cm ); abrimos um orifício no osso do crânio (1
cm); e introduzimos o instrumental cirúrgico, geralmente
uma agulha para biópsia ou punção, guiado com exatidão
para alcançar a lesão, de acordo com as coordenadas estereotáxicas.
5. Ao atingir o alvo, realizamos então o procedimento,
que pode ser a biópsia de lesões cerebrais, como: tumores,
inflamações e processos neurodegenerativos, ou mesmo para
a drenagem de coágulos, cistos, abcessos, ou outras lesões
intracerebrais.
6. Finalizamos então a cirurgia, retirando a agulha e
fechando a pequena incisão na pele com pontos simples.
O arco é então retirado da cabeça.
7. O paciente geralmente retorna logo para o seu apartamento,
e recebe alta no dia seguinte.
Utilizamos
a Técnica Estereotáxica em diversas doenças cerebrais
como veremos a seguir alguns exemplos.
Tumores
cerebrais.
Freqüentemente confirmamos inicialmente o diagnóstico
do tumor através de uma biópsia, a qual é realizada com
estereotaxia. Podemos usar também a estereotaxia para
auxiliar na cirurgia de ressecação do mesmo, orientando
com precisão o melhor local para abordá-lo, seus limites
e sua posição, reduzindo assim os riscos de lesão ao tecido
cerebral normal e possibilitando uma retirada mais ampla
e segura do tumor.
E
agora, com a aquisição do equipamento de braquiterapia
pelo hospital, um dos primeiros do país, dispomos de umas
das mais avançadas técnicas de radioterapia da atualidade.
Trata-se da colocação de sementes radioativas com estereotaxia
no centro do tumor, permitindo a liberação de doses mais
elevadas de radiação na lesão, com menor incidência de
radiação no cérebro normal em sua volta.
Acidentes
vasculares cerebrais.
Os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos são muito
freqüentes em nosso meio, provocados principalmente pela
hipertensão arterial não controlada.
Até recentemente, pouco se podia fazer nesses casos, já
que a cirurgia convencional para a remoção desses coágulos
é muito lesiva e com grande incidência de complicações.
Sendo
assim, a melhor opção seria a conduta conservadora, onde
são feitas as medidas clínicas para reduzir a pressão
dentro do crânio que por sua vez encontra-se elevada pela
presença do hematoma.
Todavia,
com o advento da neurocirurgia minimamente invasiva, podemos
drenar esses coágulos através de um pequeno orifício no
crânio, guiando-se uma agulha de punção com estereotaxia
para o interior do mesmo, e realizando-se a drenagem contínua
desse sangue, que é dissolvido com a infusão de uma substância
com essa finalidade (Actilyse). Obtém-se, assim, uma redução
do volume do hematoma no cérebro, facilitando o controle
da pressão intracraniana e melhorando os resultados no
tratamento desses pacientes.
Através
da Estereotaxia podemos ter acesso a diferentes regiões
do cérebro com menor tempo de cirurgia, menor tempo de
internação, menor custo, menor riscos de complicações
da anestesia geral e menor índice de complicações intra-operatórias.
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